23 julho, 2007

Quem me leva os meus fantasmas (3)

carvão s/papel
(...)
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
se a casa está deserta?
.
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz

10 julho, 2007

entre a dor e o espanto...

pastel s/cartão
.
Este é o orvalho dos teus olhos.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
(...)
José Agostinho Batista

26 junho, 2007

A ver da vida...

acrílico s/tela
(...)
a ver da vida,
que só tem quem daqui sai...
e os que aqui ficam,
têm solidão e mágoa...
(...)
A carreira das duas, CD A cor da vontade, Quadrilha

03 junho, 2007

Ao sul...

aguarela

31 maio, 2007

Planura imensa

aguarela
(...)
Por entre os campos, os cordões rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima ou distante
conforme as ténues cristas da planura imensa,
um claror de céu, um tufo de arvoredo,
alternadamente se tocam e se afastam.
(...)
Jorge de Sena

29 maio, 2007

O soldadinho não volta...

acrílico s/tela
...
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar?
- o soldadinho não volta
Do outro lado do mar
.
Senhora d'olhos cansados
porque a fatiga o tear?
- o soldadinho não volta
do outro lado do mar.
(...)
Reinaldo Ferreira in Menina dos olhos tristes


15 maio, 2007

Que Céu Tão Negro...

acrílico s/tela
...
QUE CÉU tão negro... que tão negra a terra,
Rugindo rola-se o trovão no espaço...
Falanges negras de chumbadas nuvens
Raios vomitam num medonho abraço...
(...)
Castro Alves

25 abril, 2007

Abril

acrílico s/tela
(...)
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar
tem flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
Ary dos Santos

15 abril, 2007

Meninos

acrílico s/tela
(...)
Um Búzio desigual e retorcido
Trazia por Trombeta sonorosa,
De Pérolas e Aljôfar guarnecido,
Com obra mui sutil e curiosa.
Depois do Mar azul ter dividido,
Se sentou numa pedra Cavernosa,
E com as mãos limpando a cabeleira
Da tortuosa cola fez cadeira
(...)
Bento Teixeira

02 abril, 2007

Banco de Jardim

acrílico s/cartão
...
Debaixo da magnólia
No jardim sossegado
O mendigo adormecera…
Agora, Já não tinha calor
Aquele corpo enregelado,
Ali, no banco, abandonado,
A vida, dele se esquecera
(...)
João Fortunato in Antologia dos poetas Alentejanos

20 março, 2007

Barqueiro

acrílico s/tela
(...)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
...
cecília Meireles

04 março, 2007

Como será este mundo?

acrílico s/tela
(...)
Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.
Agostinho Neto

26 fevereiro, 2007

mãos...

acrílico s/cartão
(...)
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
(...)
Cecília Meireles

19 fevereiro, 2007

Vidas

acrílico s/tela

12 fevereiro, 2007

Confidências

óleo s/tela

31 janeiro, 2007

Arvores do Alentejo

óleo s/tela
(estudo s/quadro de Dordio Gomes)
...
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
(...)
Florbela Espanca in Arvores do Alentejo

26 janeiro, 2007

O Tintureiro

óleo s/tela

15 janeiro, 2007

O Regresso

óleo s/tela
(...)
...uma vez mais o olhar,
numa alegria selvagem,
com o tom da tua paisagem,
que o sol,
a dardejar calor,
transforma num inferno de cor...
Alda Lara in Regresso

31 dezembro, 2006

cumplicidades 2

óleo s/tela
(...)
Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido
(...)
David- Mourão Ferreira

23 dezembro, 2006

Esperança

óleo s/tela
(...)
E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.
Agostinho Neto

06 dezembro, 2006

Em flor...

acrílico s/tela
...
Se receoso se turba
na alta noite
teu peito em flor,
ao sentires um hálito em teus lábios,
abrasador,
lembra-te que invisível ao teu lado
respiro eu.
(...)
Gustavo Adolfo Bécquer

04 dezembro, 2006

Esperando que passe...

acrílico s/cartão

25 novembro, 2006

Construções


acrílico s/cartão
...
A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.
Mas então cantava
...
Eugénio de Andrade

18 novembro, 2006

Medo...

pastel s/cartolina
(...)
AH o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
...
Alexandre O Neill in Poema pouco original do medo

14 novembro, 2006

recordações

pastel s/cartolina
...
LEMBRAS-TE ainda dessa noite bela
Em que, donzela, te chegaste a mim?
Lembras-te?
Dize... mas não tenhas pejo...
Que vai um beijo pra corar assim?...
(...)
Castro Alves Recordações

10 novembro, 2006

No fundo...


acrílico s/madeira
(...)
Ó chuva! Ó vento! Ó neve
que tortura
Gritem ao mundo inteiro
esta amargura,
Digam isto que sinto
que eu não posso!!...
...
Florbela espanca in Neurastenia

08 novembro, 2006

Esperando melhor maré...

óleo s/tela
(...)
As sombras
na surperfície de si mesmas
parecem mais profundas nas águas
só por serem fugidias
e vagas.
...
José Gomes Ferreira in Poesia VI

06 novembro, 2006

Cumplicidades

óleo s/tela
(...)
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
(...)
José Carlos Ary dos Santos

05 novembro, 2006

E do barro nasceu...


óleo s/tela
...
Cerâmica e tear: as mãos trabalham
e constroem o amor num fim de tarde,
como jarro de rústico gargalo ou fino pano arcaico
(...)
Alberto da Costa Silva in O Tecelão

Os putos

aguarela

04 novembro, 2006

pois...em que vida estaremos nós?

acrílico s/madeira
...
...Quando todo o mundo reconhece a beleza então a fealdade por contraste é criada.
Quando a bondade é reconhecida como bom, então a maldade encontra existência.
...Portanto o sábio não age e ensina através de não falar.
(...)
Tao

E o jogo continua...

óleo s/tela

02 novembro, 2006

Será que volta?

óleo s/tela
(...)
E a minha triste boca dolorida
que dantes tinha o rir
das primaveras,
esbate as linhas graves
e severas
e cai num abandono
de esquecida!
...
Florbela Espanca in lágrimas ocultas