acrílico s/tela
10 março, 2008
04 fevereiro, 2008
14 janeiro, 2008
Paz doce...
(...)
Surgem agora, em curva harmoniosa,
Os cerros, as colinas.
Há na paz doce, triste e religiosa,
Unções quase divinas!
(...)
esmeralda Santos, in: Paisagem do Alentejo
14 dezembro, 2007
17 novembro, 2007
Quero voar...
.
Quero voar -mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.
(...)
José Gomes Ferreira
22 outubro, 2007
01 outubro, 2007
Minha Voz...
.
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz
a tua voz.
Fernando Pessoa
13 setembro, 2007
27 agosto, 2007
23 agosto, 2007
Clamo e choro...
(...)
Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais:
Voltam na asa do vento os aias que a alma chora,
Elas, porém, senhor, elas não voltam mais...
António Nobre
14 agosto, 2007
Quando vejo-te assim...
.
Quando vejo-te assim, do sono da indolência,
Dilatado o contorno algente, acetinado,
Intumescido o seio, e um tom fresco e rosado
Tingindo-te da carne a rica florescência.
(...)
Carvalho junior in Adormecida
10 agosto, 2007
Que a vida por mim passe...
(...)
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
(...)
Fernando Pessoa
01 agosto, 2007
23 julho, 2007
Quem me leva os meus fantasmas (1)
.
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada?
(...)
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz
Quem me leva os meus fantasmas (2)
(...)
De que serve ter o mapa
se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
(...)
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz
Quem me leva os meus fantasmas (3)
(...)
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
se a casa está deserta?
.
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz
10 julho, 2007
entre a dor e o espanto...
.
Este é o orvalho dos teus olhos.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
(...)
José Agostinho Batista
26 junho, 2007
A ver da vida...
(...)
a ver da vida,
que só tem quem daqui sai...
e os que aqui ficam,
têm solidão e mágoa...
(...)
A carreira das duas, CD A cor da vontade, Quadrilha
03 junho, 2007
31 maio, 2007
Planura imensa
(...)
Por entre os campos, os cordões rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima ou distante
conforme as ténues cristas da planura imensa,
um claror de céu, um tufo de arvoredo,
alternadamente se tocam e se afastam.
(...)
Jorge de Sena
29 maio, 2007
O soldadinho não volta...
...
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar?
- o soldadinho não volta
Do outro lado do mar
.
Senhora d'olhos cansados
porque a fatiga o tear?
- o soldadinho não volta
do outro lado do mar.
(...)
Reinaldo Ferreira in Menina dos olhos tristes
15 maio, 2007
Que Céu Tão Negro...
...
QUE CÉU tão negro... que tão negra a terra,
Rugindo rola-se o trovão no espaço...
Falanges negras de chumbadas nuvens
Raios vomitam num medonho abraço...
Rugindo rola-se o trovão no espaço...
Falanges negras de chumbadas nuvens
Raios vomitam num medonho abraço...
(...)
Castro Alves
25 abril, 2007
Abril
(...)
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar
tem flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
Ary dos Santos
15 abril, 2007
Meninos
(...)
Um Búzio desigual e retorcido
Trazia por Trombeta sonorosa,
De Pérolas e Aljôfar guarnecido,
Com obra mui sutil e curiosa.
Depois do Mar azul ter dividido,
Se sentou numa pedra Cavernosa,
E com as mãos limpando a cabeleira
Da tortuosa cola fez cadeira
(...)
Bento Teixeira
02 abril, 2007
Banco de Jardim
...
Debaixo da magnólia
No jardim sossegado
O mendigo adormecera…
Agora, Já não tinha calor
Aquele corpo enregelado,
Ali, no banco, abandonado,
A vida, dele se esquecera
(...)
João Fortunato in Antologia dos poetas Alentejanos
20 março, 2007
Barqueiro
(...)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
...
cecília Meireles
04 março, 2007
Como será este mundo?
(...)
Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.
Agostinho Neto
26 fevereiro, 2007
mãos...
(...)
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
(...)
Cecília Meireles
19 fevereiro, 2007
12 fevereiro, 2007
31 janeiro, 2007
Arvores do Alentejo
(estudo s/quadro de Dordio Gomes)
...
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
(...)
Florbela Espanca in Arvores do Alentejo
26 janeiro, 2007
15 janeiro, 2007
O Regresso
(...)
...uma vez mais o olhar,
numa alegria selvagem,
com o tom da tua paisagem,
que o sol,
a dardejar calor,
transforma num inferno de cor...
Alda Lara in Regresso
31 dezembro, 2006
cumplicidades 2
(...)
Mais do que um sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido
(...)
David- Mourão Ferreira
23 dezembro, 2006
Esperança
(...)
E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.
Agostinho Neto
06 dezembro, 2006
Em flor...
...
Se receoso se turba
na alta noite
teu peito em flor,
ao sentires um hálito em teus lábios,
abrasador,
lembra-te que invisível ao teu lado
respiro eu.
(...)
Gustavo Adolfo Bécquer
04 dezembro, 2006
25 novembro, 2006
Construções
...
A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.
Mas então cantava
...
Eugénio de Andrade
18 novembro, 2006
Medo...
(...)
AH o medo vai ter tudo
tudo
(penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
...
Alexandre O Neill in Poema pouco original do medo
14 novembro, 2006
recordações
...
LEMBRAS-TE ainda dessa noite bela
Em que, donzela, te chegaste a mim?
Lembras-te?
Dize... mas não tenhas pejo...
Que vai um beijo pra corar assim?...
(...)
Castro Alves Recordações
10 novembro, 2006
No fundo...
08 novembro, 2006
Esperando melhor maré...
(...)
As sombras
na surperfície de si mesmas
parecem mais profundas nas águas
só por serem fugidias
e vagas.
...
José Gomes Ferreira in Poesia VI
06 novembro, 2006
Cumplicidades
(...)
Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
(...)
José Carlos Ary dos Santos
05 novembro, 2006
E do barro nasceu...
04 novembro, 2006
pois...em que vida estaremos nós?
...
...Quando todo o mundo reconhece a beleza então a fealdade por contraste é criada.
Quando a bondade é reconhecida como bom, então a maldade encontra existência.
...Portanto o sábio não age e ensina através de não falar.
(...)
Tao
02 novembro, 2006
Será que volta?
(...)
E a minha triste boca dolorida
que dantes tinha o rir
das primaveras,
esbate as linhas graves
e severas
e cai num abandono
de esquecida!
...
Florbela Espanca in lágrimas ocultas
01 novembro, 2006
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