03 maio, 2009

Olhar Perdido...

acrílico s/tela
.
e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
Ruy Belo

30 março, 2009

menina

grafite s/papel

08 março, 2009

Mulher...

acrilico s/tela
.
Se um dia te lembrares porque és mulher,
se tiveres na recordação Joana D' Arc, Maria da Fonte,
e tantas outras que pela liberdade trocaram a vida.
Se continuares a ter força para combateres aqueles
que do teu corpo se servem...
e com determinação lutares
contra os que te querem manter na ignorância,
se compreenderes que no teu ventre
não geras simplesmente um filho...
mas um lutador como tu,
se teimares em fazer compreender ao homem que és mulher,
se vires neste cravo que te ofereço
a vontade de ao teu lado lutar...
Então, tu estás no caminho certo,
e eu compreendo porque tu és mulher...
(escrito em 1983 à companheira de toda a vida)

16 fevereiro, 2009

Para além...

acrílico s/tela

11 janeiro, 2009

Do Outono e do Silêncio

acrílico s/tela


Ah como eu sinto o outono

nestes crepúsculos dispersos,

de solidão e de abandono!

nessas nuvens longínquas, agoureiras,

que têm a cor que um dia houve em meus

versos

e nas tuas olheiras...

Tomba uma sombra roxa sobre a terra.

A mesma nuança em torno tudo encerra

nuns tons fanados de ametista.

Caem violetas...

Paisagem velha e nunca vista...

Paisagem próxima e tão distante...

A luz foge, esfacelando em silhuetas

os troncos

da alameda agonizante.

O outono é uma elegia que as folhas plangem,

pelo vento, em bando...

E o outono me amargura e anestesia

com o silêncio...

Silêncio

das ressonâncias esquecidas

que o fim do dia deixa sempre no ar...

Silêncio irmão das covas,

das ermidas, incenso das distâncias,

onde a memória fica a ouvir perdidas

palavras que morreram sem falar...

Alvaro moreyra, in Lenda das Rosas

26 dezembro, 2008

Céu Azul, Céu Cinzento

acrílico s/tela
.
Alentejo terra pura
céu azul céu cinzento
cai a chuva e faz vento
em terra de agricultura.
Bate o sol em vida dura
E neste nosso tesouro
onde o campo é tão loiro
cresce o trigo dá o pão
e se ouve com razão
Alentejo terra d'oiro
Octavio Cardoso

01 dezembro, 2008

Hoje sorriem-me a terra e os céus

acrílico s/tela
.
Hoje sorriem-me a terra e os céus;
sinto no fundo da minha alma o sol;
eu hoje vi-a..., vi-a e ela olhou-me...
Creio hoje em Deus!
(...)
Gustavo Adolfo Bécquer

05 novembro, 2008

Foi para ti que criei as rosas...

acrílico s/tela
.
Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.
Eugénio de Andrade

25 outubro, 2008

Vai-te poesia...

acrílico s/cartão
.
Vai-te, Poesia!

Deixa-me ver a vida
exacta e intolerável
neste planeta feito de carne humana a chorar
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos
com bandeiras de lume nos olhos,
para fabricar sonhos
carregados de dinamite de lágrimas.

Vai-te, Poesia!

Não quero cantar.
Quero gritar!
Manuel Bandeira

30 setembro, 2008

Arco-Iris

acrílico s/tela
.
uma amiga passou por aqui, e deixou nome para este quadro...

Canta, Alentejano canta

acrilico s/tela
.
Canta alentejano, canta,
O teu canto é oração,
Tens a alma na garganta
Solidão, ai não, ai não
(...)
Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu
Houvera quem me ensinara,
Quem aprendia era eu!
popular Alentejano

09 setembro, 2008

Primavera esquecida

aguarela
.
Um céu abafadiço, um ar de ausência
esperando nuvens imóveis no céu baixo.
A terra, já das ceifas recolhida,
alonga-se manchada a flores tardias,
roxas, vermelhas, amarelas, brancas,
como penugem de esquecida Primavera.
(...)
Jorge de Sena, in: De Relance, O Alentejo

17 agosto, 2008

Melancolia...

acrílico s/tela
.
Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.
.
Eugénio de andrade

13 agosto, 2008

Semente

acrílico s/tela
.
A Terra Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
(...)
Miguel Torga, in A Terra

02 agosto, 2008

Panos de fundo...

oleo s/tela
(...)
Atapetemos a vida
Contra nós e contra o mundo.
— Desçamos panos de fundo
A cada hora vivida!
Mário de Sá-Carneiro

12 julho, 2008

Por trás daquela janela...

acrílico s/tela
.
Por trás daquela janela
Cuja cortina não muda
Que a alma em si mesma estuda
No desejo que a revela.
Fernando Pessoa

22 junho, 2008

Reflexos

acrílico s/tela
.
Minha culpa Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
(...)
Florbela Espanca in Minha Culpa

08 junho, 2008

Leveza...

acrílico s/tela
.
Meus olhos vão seguindo incendiados
a chama da leveza nesta dança,
que mostra velho sonho acalentado
de ver a bailarina que me alcança
(...)
Aníbal Beça, in Canto IV

11 maio, 2008

Sentidos...

acrílico s/tela

(...)

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)



25 abril, 2008

Quem me dera Abril...

tinta da china s/papel
.
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
.
Manuel Alegre, in Abril de sim Abril de não

21 abril, 2008

Flores...


acrilico s/tela
.
A vila
o canto longínquo do tempo
deixa-me para sempre. É pouco.
nas dunas crescem as flores novas.
João Miguel Fernandes Jorge

10 março, 2008

04 fevereiro, 2008

grafite

14 janeiro, 2008

Paz doce...

aguarela
(...)
Surgem agora, em curva harmoniosa,
Os cerros, as colinas.
Há na paz doce, triste e religiosa,
Unções quase divinas!
(...)
esmeralda Santos, in: Paisagem do Alentejo

14 dezembro, 2007

óleo s/tela

17 novembro, 2007

Quero voar...

grafite
.
Quero voar -mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.
(...)
José Gomes Ferreira

22 outubro, 2007

s/titulo

acrílicos s/tela

01 outubro, 2007

Minha Voz...

acrílico s/tela
.
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz
a tua voz.
Fernando Pessoa

13 setembro, 2007

Porto...

acrílico s/tela

27 agosto, 2007

Dança comigo...

acrílico s/2 telas

23 agosto, 2007

Clamo e choro...

aguarela
(...)
Debalde clamo e choro, erguendo aos céus meus ais:
Voltam na asa do vento os aias que a alma chora,
Elas, porém, senhor, elas não voltam mais...
António Nobre

14 agosto, 2007

Quando vejo-te assim...

aguarela
.
Quando vejo-te assim, do sono da indolência,
Dilatado o contorno algente, acetinado,
Intumescido o seio, e um tom fresco e rosado
Tingindo-te da carne a rica florescência.
(...)
Carvalho junior in Adormecida

10 agosto, 2007

Que a vida por mim passe...

aguarela
(...)
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
(...)
Fernando Pessoa

01 agosto, 2007

Musica levai-me...

acrilico s/cartão
.
Música, levai-me:
Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?
.
Eugenio de Andrade

23 julho, 2007

Quem me leva os meus fantasmas (1)

grafite s/papel
.
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada?
(...)
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz

Quem me leva os meus fantasmas (2)

grafite s/papel
(...)
De que serve ter o mapa
se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
(...)
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz

Quem me leva os meus fantasmas (3)

carvão s/papel
(...)
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
se a casa está deserta?
.
Pedro Abrunhosa, Quem me leva os meus fantasmas, in CD, Luz

10 julho, 2007

entre a dor e o espanto...

pastel s/cartão
.
Este é o orvalho dos teus olhos.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
(...)
José Agostinho Batista

26 junho, 2007

A ver da vida...

acrílico s/tela
(...)
a ver da vida,
que só tem quem daqui sai...
e os que aqui ficam,
têm solidão e mágoa...
(...)
A carreira das duas, CD A cor da vontade, Quadrilha

03 junho, 2007

Ao sul...

aguarela

31 maio, 2007

Planura imensa

aguarela
(...)
Por entre os campos, os cordões rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima ou distante
conforme as ténues cristas da planura imensa,
um claror de céu, um tufo de arvoredo,
alternadamente se tocam e se afastam.
(...)
Jorge de Sena

29 maio, 2007

O soldadinho não volta...

acrílico s/tela
...
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar?
- o soldadinho não volta
Do outro lado do mar
.
Senhora d'olhos cansados
porque a fatiga o tear?
- o soldadinho não volta
do outro lado do mar.
(...)
Reinaldo Ferreira in Menina dos olhos tristes


15 maio, 2007

Que Céu Tão Negro...

acrílico s/tela
...
QUE CÉU tão negro... que tão negra a terra,
Rugindo rola-se o trovão no espaço...
Falanges negras de chumbadas nuvens
Raios vomitam num medonho abraço...
(...)
Castro Alves

25 abril, 2007

Abril

acrílico s/tela
(...)
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar
tem flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!
Ary dos Santos

15 abril, 2007

Meninos

acrílico s/tela
(...)
Um Búzio desigual e retorcido
Trazia por Trombeta sonorosa,
De Pérolas e Aljôfar guarnecido,
Com obra mui sutil e curiosa.
Depois do Mar azul ter dividido,
Se sentou numa pedra Cavernosa,
E com as mãos limpando a cabeleira
Da tortuosa cola fez cadeira
(...)
Bento Teixeira

02 abril, 2007

Banco de Jardim

acrílico s/cartão
...
Debaixo da magnólia
No jardim sossegado
O mendigo adormecera…
Agora, Já não tinha calor
Aquele corpo enregelado,
Ali, no banco, abandonado,
A vida, dele se esquecera
(...)
João Fortunato in Antologia dos poetas Alentejanos

20 março, 2007

Barqueiro

acrílico s/tela
(...)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
...
cecília Meireles

04 março, 2007

Como será este mundo?

acrílico s/tela
(...)
Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.
Agostinho Neto

26 fevereiro, 2007

mãos...

acrílico s/cartão
(...)
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
(...)
Cecília Meireles

19 fevereiro, 2007

Vidas

acrílico s/tela